While my guitar gently weeps (23)

-Nota-se, mas enfim, faça algo com isso ou eu faço. E faça rápido antes que eu esqueça de te lembrar. -Jony levantou-se, acenou pra mim e pra minha mãe e saiu pela porta.
Sentei no sofá e fiquei olhando o papel. Jony era cinico mas não era pra tanto. Ele tinha razão. Mas será que valeria a pena? Me duvidei disso somente uma vez. Na segunda não pensei mais em nada. Fiquei trancado em casa o dia todo, olhando a janela. Eu não tinha o que fazer, enfim fui escrever mais, nunca escrevi tanto. Mas... eu me sairia bem? Eu balançava a cabeça tentando fazer esses pensamentos irem embora. Eu esfregava os olhos um tanto vermelhos, eu costumava dormir meia noite, mas voltei a boemia quando meu pai saiu de casa. Desde o dia que ele sumiu até aquele momento olhando a janela. Virei o rosto pro relógio eram 2 e 58. Me joguei na cama e escrevi mais, escrevi sobre o céu nublado, aquilo me trazia um saudosismo atipico. Sorri quando terminei, coloquei o caderno sobre a mesa de cabeceira e dormi. No dia que seguiu, acordei e olhei Paul lendo meu caderno, sentado na poltrona, super tranquilo. Sentei-me na cama, olhando-o. Era perfeito, todos os traços do rosto de Paul. Ela sorriu simpático. Olhou-me durantes uns minutos.
-Fiquei curioso... o caderno tava na mesinha e tava aberto...
-Sem problemas... Chegou faz tempo?
-Não, não, na verdade cheguei, é que fiquei aqui lendo nem sei que horas foi.. -Levantou-se, colocou o caderno na poltrona. Veio em minha direção. Passou a mão em meu rosto. -Bom dia, Rich -Me abraçou.

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