While my guitar gently weeps (10)

A partir do momento em que Rich me viu da janela com Paul, a situação entre eu, ele e Paul piorou muito. Rich nunca mais apareceu na minha rua. Nunca mais vi ele nos Pub's da boca do lixo de Liverpool, nunca mais senti seu cheiro Carmin invadindo os quarteirões perto da minha casa... Eu sentia falta... E as vezes quando eu tava muito triste, eu ia naquele morro a noite ver as casas... Procurei me manter afastado de Paul por alguns dias... E consegui ficar longe dele mais do que eu esperava... Todas as vezes que nos viamos o clima era estranho e eu tinha certa repulssa em ve-lo, afinal...
Paul tinha conseguido entrar pra banda de John, o garoto do Pub. Stwart tinha abandonado sua função e deixou-a pra Paul. Paul iria tocar baixo, John guitarra, o baterista era pete Best e Paul veio me chamar pra tocar com eles. Eu aceitei afinal... Eu só ia tocar mesmo. Segundo o empresário, Pete Best não era bom para a banda, então pensou em abrir testes e toda aquela baboseira pra achar um baterista bom. Então eramos John, Paul, eu e um baterista que não sabiamos quem era ainda. Tinhamos ido a uma reunião... Uma especie de enontro para sugestões... Quem poderia substituir Pete Best. Teve várias sugestões, mas nada muito concreto. Então quando voltei pra casa, fui ocasionalmente pela rua de Rich e pra variar sua janela estava aberta e pra variar ele estava doente. Eu pisei sobre as gramas do jardim de sua casa. E ele estava ouvindo musica. Calmo e triste, não, malancólico, sentado em sua poltrona aveludada. Cantava consigo mesmo: 'You are my sunshine, my only sunshine, you make me happy, when skies are gray' e eu olhava tristemente aborrecido vendo ele daquele jeito. Ele então caiu da poltrona. Eu fiquei constrangido de entrar e acudir, mas afinal, era o Rich... Eu dobrei uma das mangas de minha camisa rapidamente e pulei a janela do quarto dele, fui até ele e o ajudei a levantar. Olhei ele e ele estava apagado. O deitei em sua cama e o abracei, pedindo desculpas a ele em silencio. Ele abriu os olhos, e estavam muito vermelhos, seus olhos azuis... Estavam opacos aquela noite. Ele me olhou e se afastou de mim. Eu o olhei meio atordoado. E ele apontou com o dedo pra janela, mandando eu ir embora. Eu sentei em sua poltrona e não sai de seu quarto. Ele levantou da cama e tentou abrir a porta pra mim mas estava tão tonto que quase caiu, me levantei rapidamente e o ajudei. Estava preocupado com ele.
-Rich! Que você usou? -Eu disse segurando seu braço e ele me olhou com uma cara de negação.
-Não é do seu interesse. -Disse tentando tirar minha mão do braço dele.
-Rich... Desculpa.
Ele riu. Uma risada sem graça, sem nada.
-Desculpar? Ok! Tá desculpado... Agora pode me deixar em paz. -Disse virando os olhos.
-Tem certeza que quer que eu vá?
-Tenho! -Disse finalmente se soltando de mim.
-Ok... -Eu disse saindo pela janela. -Tchau Ringo.
Ele não acenou, não deu nenhum tchau, ele estava muito magoado comigo e eu não podia fazer nada, fui pra casa e dormi com a cabeça estourando.
Quando apareceu os primeiros raios de sol eu me levantei. Era o primeiro dia na escola e meu humor estava alterado, assim como meu estomago. Acordei as 7, vesti o uniforme ridiculo da escola e sai batendo as portas. Estava frio do lado de fora e aquele som não aquecia ninguém. Cheguei no portão da escola caindo pelas tabelas, entrei. Paul e John me esperavam. Paul não estava muito feliz, aliás... Paul olhava John querendo mata-lo. Eu perguntei o que tinha havido. E Paul me respondeu saindo, pisando fundo no chão cinza da escola. John não me explicou nada e também eu não queria saber de nada, só queria que Rich estivesse bem. Subi pra minha sala. Sentei em meu lugar. Abri minha mala. Peguei minhas coisas. Depois de 4 aulas bateu o sinal... No intervalo eu costumava sentar-me com Paul. Mas Paul estava muito estressado, então eu vi Rich. Rich era mais velho estava no ultimo ano da escola, mas ele não era muito ai pra escola não, ele dizia que tinha outras prioridades e tinha plena consciencia de que esse pensamento não o levaria a lugar algum, mas ele dizia também que não ligava pra mais nada. Eu o vi no intervalo com Rory, ele tossia e tinha frio. Era teimoso feito uma mula, aquilo me enraivecia, me deixava inutil, me deixava triste. Ele definitivamente não queria ficar bom. Eu levantei de onde eu estava e fui até ele. Ele levantou e saiu andando quando me viu. Eu o segurei pelo braço. Ele esquivou. Eu o olhei. Ele saiu andando calmamente com uma levesa superior. Não tinha pressa de ficar longe de mim, embora estivesse distante. Eu o deixei. Ele foi pra sua sala. Eu pra minha. Não o vi a tarde. Não o vi na rua. Não o vi andando com sua moto em morros floridos.
Acabou a aula e eu fui pra casa junto a Paul. O clima ainda não era bom, mas Paul ainda era meu amigo. Ele me deixou na porta de casa e disse que já tinham encontrado um baterista. Fez um semblante de desdenho. Eu não entendi, dei de ombros e entrei em casa. A casa estava tão fria, mas fria que o habitual, tinha um clima estranho. Mas não era fato. Era eu que estava estranho, estranho em relação a Rich, a Paul, a minha futura banda, estava estranho em relação a vida. Enfim... Que fosse a merda se nada desse certo. De que serve a morte senão pra consolar e abrigar seus medos?
Eu fui para meu quarto. Lembrei-me de quando Rich fazia milagres pra me ver, nas vezes em que ele ia lá em casa ele subia na arvore e eu nunca soube disso até o ultimo dia em que estavamos bem. Entrei no quarto. Larguei minha bolsa no chão, livrei-me de minhas roupas e fui pro banho. Meu banho foi cronometrado em cinco minutos. Desliguei o chuveiro. Me troquei e fui ao Pub, Rich talvez estaria por lá. Então entrei, sentei pedi uma vodka. Minutos depois Rich entrou acompanhado de Rory. Ele me olhou e eu o encarei, de certa forma era isso que eu queria, era isso que ele queria. Ele sentou no palco e foi balançando os pés, levemente, como se estivesse com a maior paciência do mundo. Me olhou e acenou, Paul entrou pela porta de madeira do Pub junto a John. Então olhei Paul e ele estava com uma cara de ontem desde as dez da manhã. Ele foi até mim.
-o baterista da banda é ele. -Disse ele apontando pra Rich. Eu olhei Rich de súbito e ele estava em pé. Vindo na minha direção.
-Oi. -Disse ele olhando calmo... Como se tivesse esquecido do ocorrido, mas ainda estivesse chateado.
-Oi. -Eu disse olhando em seus olhos. Paul pegou em meu braço e me virou pra porta. Rich fez uma cara engraçada e John riu. Rich continuou a fazer caras engraçadas e eu podia ouvir as risadas de John. As risadas dele ecoavam em todo o Pub. Meu sangue subia por todas as minhas veias até chegar ao cerebro. Eu me virei pra Rich e eu olhava as caretas dele pra John. Minha cabeça rodava. Eu estava vermelho. Meu rosto pegava fogo.
-Então você que vai tocar com agente? E o Rory... Você vai deixar seu amigo na mão? -Eu disse tentando ser ironico.
-Ele já tem quem me substitua. -Ele disse cortando meu barato.
-Ah! Ok... -Eu sentei numa cadeira e fiquei olhando Rich encarar John. Olhei, olhei, olhei. Levantei e fui beber. Paul me olhou e me chamou. Rich olhou pra mim e foi até o balcão onde eu estava.
-Você ta bem? -Disse ele sentando num dos bancos.
-Não. -Eu disse com um sorriso amarelo na face.
-Porque? -Ele disse com a mão em minhas costas. Eu dei de ombros. Ele estava certo. Quem tinha que estar mal era ele. -Saudade. -Eu disse contornando a boca do copo com o dedo indicador.
-Eu também... George... Olha pra mim. -Disse ele segurando meu rosto.
-Que é? -Eu disse triste.
-Eu amo você. -Disse ele triste. Me abraçou chorando. Ele me amava o bastante pra saber que eu tinha só 14 e não sabia dessas coisas.
-Desculpa Rich... -Eu disse chorando.
-Ok... -Ele sorriu. Levantou os braços, abaixou um deles e pegou minha mão. Eu olhei John e ele queria me assassinar.
Eu era sempre o errado. Eu estava errado, mas eu o amava.
Fomos ao ensaio, mas Paul estava com tanta raiva.

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