While my guitar gently weeps (8)

-Amanhã se continuar nevando... Vamos fazer um boneco de neve. -Levantou o polegar. Ele saiu correndo, agachou, fez uma bola de neve com a mão e jogou em mim. Eu balancei a cabeça num sinal negativo e corri na direção em que ele estava. Eu vi Paul passando na rua e me escondi atraz de uma árvore. Rich olhou pra mim, sorriu e se escondeu comigo. Paul era uma pedra no meu caminho, desde a época em que pegavamos o ônibus pra ir a escola. Havia uma garota que sentava no banco ao lado do nosso que ( na falta de outra palavra ) flertava comigo. Ela era bonita, olhos castanhos escuro e divertida semelhante a Rich, que tentanva disfarçar tudo com um sorriso e conseguia perfeitamente enganar a todos, menos a mim. O nome da garota era Rita, um 'Amigo' a matou, fiquei muito mal com isso na época, mas Paul não... Ele não era sádico, estava feliz e eu pouco me lichava pra ele e pro sentimento cinico que ele guardava dentro dele. Enfim eu não poderia mais mudar aquela história.
Rich me abraçou, rindo.
-Por que você foge dele? -Rindo.
-Eu não fujo... Ele que corre atraz demais... Chega a ser um chato. -Sorri pra ele.
-Ah sim... E eu sou chato...?
-Não... Você sabe que não. E meu Deus... Porque pergunta?
Ele sentou-se no chão frio, coberto pela neve e encolheu-se de frio. Só podia estar doente... Com todas aquelas coisas que ele usava... Ele usava alem de alcool, coisas importadas... Rich usava DMT, LSD, Paiote, Mescalina, LBJ e por ai vai. Ele guardava numa gaveta todas essas drogas, e guardava de um jeito que ninguém poderia acha-la ( no fundo da gaveta ).
Ele tirou do bolso um cigarro, um isqueiro e ascendeu o cigarro elegantemente, deu um trago e rapidamente soltou a fumaça pelo nariz. Me olhou melancólico e sorriu sem graça. Eu deitei sobre seu ombro quente... Por mais frio que estivesse, ele estava em chamas. Eu gostava de seu corpo assim, mas ele estava doente, tinha febre... Eu não precisaria nem medir sua temperatura pra saber que ele tinha 39,5 de febre. Quando pensava em dizer pra ele voltar pra casa, ele me olhava melancólico e eu não tinha coragem de falar nada. Ele deitou em meu ombro e colocou a mão direita em minha cintura, se aconchegou. Eu passava a mão no cabelo dele lentamente e ele ia pegando no sono. Levei ele pra dentro de sua casa, liguei pra minha mãe e avisei que ia dormir na casa de um amigo, ela pediu pra eu voltar cedo, eu concordei e desligamos. Entrei no quarto de Rich e a mãe dele havia limpado os cacos de vidro do chão e colocado a foto em outro porta retratos mais bonito.
Ele sentou-se em sua cama, o colchão estava em péssimas condições. Sentei-me ao lado dele, ele deitou me puxando com a mão em meu punho, não tive outra escolha, ou não queria ter outra escolha, sei lá, o fato é que estavamos ali outra vez. Ele e eu... Novamente usando palavras obcenas enquanto nos tocavamos e isso me atraia, me deixava perdido, sem rumo, mas certamente aquilo era certo. Era destino, nada de conhecidencia, era sim destino. Um destino bem correto. O melhor. O mais sério. Era aquilo que eu queria pra mim, pro resto da minha vida, eu podia não ser grande musico, podia não compor bem, podia tocar o rebu em casa, mas aquilo ninguém poderia me tirar. Meu momento feliz, entre beijos e mordidas. O sol brilharia na manhã seguinte se ele estivesse comigo e eu podia estar bebado, drogado e seja lá o que fosse eu ia ama-lo pra vida toda. Podia não ter uma música, mas nos amavamos mesmo sem trilha sonora. Ele arranhava minha cintura e isso me deixava alucinado. Ele era quase uma droga, me viciei em algo tão pequeno, porém tão grande. Entre pequenos gemidos ele dizia que me amava, sussurrava meu nome em meu ouvido pedindo pra eu nunca deixa-lo. Eu respondia com atos doces e dizia somente: Pra sempre.
Por fim acabei, deitado, nu sobre as pernas de Rich, ele acariciava meu cabelo, sorrindo e me agradecia por eu estar ali.
Ele tremia de frio, nos cobria com um edredon. Deitamos e adormecemos olhando a neve que cai do lado de fora da janela. Quando acordei, Rich estava dormindo, tão belo, tão cansado, tão gostoso, seu corpo suava, mas ele tremia de frio. Eu deitei sobre seu peito que fervia a quase 40 graus. Ele sonhava, acordou de ímpeto, como num susto. Me olhou assustado, me abraçou forte, me beijou perdido. Eu segurei seu rosto, alisando-o para acalmar Rich.
-Tive um pesadelo, George. -Disse chorando. -Tinha um navio cargueiro que levava você embora, parecido com o Titanic, e ele ia pra América. E levava você... Não sai daqui, pelo amor de Deus, se é que ele existe. -Disse desesperado.
-Só saio se você quiser... Você quer que eu saia? -Secando as lágrimas dele.
-Não quero! Nem fodendo você sai daqui. -Calei ele com um beijo, profundo e ofegante. Eram 6:15 e eu tinha que ir embora. Ringo estava com medo, desesperado. Eu não entendia, mas tentava. Eu disse que voltaria no fim da tarde. Ele enfim aceitou e eu fui pra casa.
Quando cheguei em casa, sentem no sofá e abri uma lata de refrigerante, peguei o controle, liguei a TV e coloquei os pés sobre a mesa da sala. Olhando a TV. Passava novela... Trágico! O mocinho tinha ido pra lá de Bagdá e sua mocinha estava chorando sobre seu tumulo. Aquilo não era muito propicio. Mudei o canal e nunca passava nada produtivo. Um telejornal, um filme, um desenho e um programa de musica. Larguei o controle remoto no sofá e encolhi as pernas. Passava uma gravação da banda de Rich no programa. Ele tocava tão bem e era lindo, tinha um certo charme quando fumava. Eu olhava a TV sem piscar, quando a porta deu sinal de visitas. Eu nem ouvir baterem na porta. Meu irmão abriu e lá estava Paul. Eu tive que deixar Paul entrar por livre e espancada vontade. Paul era amigo do meu irmão. Sentou-se ao meu lado e ficou olhando a minha cara com um semblante chateado e bravo. Eu o olhei. Eu o encarei e ele perguntou se eu estava bem. Respondi que sim e desliguei a TV rapidamente. Paul olhou a TV.
-Tava passando os Hurricanes, né?
-Sim... Estava... Eu curto o som.
Paul levantou, foi até a janela, colocou as mãos na cintura e começou a discutir comigo sem motivo, ele estava muito bravo e eu nem sabia porque. Disse que eu era gay, me chamou de tudo quanto é coisa. Eu fiquei triste de saber que ele pensava aquilo de mim afinal ele era meu amigo já fazia um tempo. Ele olhou pra mim e não tinha ninguém na sala. Ele se aproximou e me beijou... Numa fração de segundos derrubei ele do chão. Ele olhou pra mim com cara de reprovação... Levantou e saiu sem nenhuma clase, batendo a porta. Eu fiquei abismado com aquele ato extramamente impenssado da parte de Paul. Sentei e liguei a TV denovo. Ainda passava os Hurricanes, mas já estava quase acabando. Voltei a beber meu refrigerante, morrendo de ódio de Paul. Minha mãe estava na cozinha, fazendo o almoço e eu nem senti o cheiro de sua comida de tão perdido que eu estava. Paul era perdido e queria me levar pro fundo do barco com ele... Mas várias vezes ele me falou de John, o cara do Pub. Então porque fazia aquelas coisas comigo? Pra tirar um barato quando estivesse bebado? Sei lá, eu sei que eu ria de Paul. Não pude me conter, ele era patético com aquelas palhaçadas sem nexo. Eu ficava puto quando ele vinha com aquelas piadas que só ele achava graça, afinal foi ele quem as fez.

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