While my guitar gently weeps (7)
-Ringo! -Gritei. -Me espera. -Correndo. Ele parou lentamente. Bebeu um pouco do vinho da garrafa que segurava na mão esquerda. Olhou pra mim e fechou os olhos.
-Brigado tá... -Virou e saiu andando novamente. Eu segurei ele novamente.
-Dá pra você me esperar por favor? -Olhei ele no fundo do mar azul dos olhos dele. Ele estava desanimado. Eu peguei as mãos dele, Rory olhava meio admirado com aquilo. Ele me olhou, tentou fugir dos meus olhos mas não teve coragem. Já era quase 12:30, eu tinha que voltar pra casa pra almoçar, eu estava morrendo de fome, mas não sai dali. Fiquei segurando as mãos quentes dele. Olhando pra ele hipnotizado. Ele soltou minhas mãos e jogou a garrafa no chão e andou calmo. Eu olhei. Chamando em vão.
-Ringo... Volta? Por favor. -Ringo veio até mim, me olhou.
-Posso te beijar aqui no meio da rua?
Eu fiquei encabulado, tentei fugir da pergunta dele. Mas não consegui.
-Se você tem coragem... -Não deu tempo de eu terminar, ele me abraçou, chorando muito. Eu abracei ele, alisei seu cabelo loiro e sentei no chão, segurando ele. Ele estava fraco não comia desde as 11:10 do dia anterior. Só havia bebido. Sem comer nada. Derepente ele levantou e correu até o Pub. Foi vomitar no banheiro, eu e Rory fomos atraz dele. Ele estava caido entre a porta e o vaso sanitario. Ajoelhei e Paul dizia coisas idiotas e importunas. Mandei Paul ir pra puta que pariu. Levantei Ricky com a ajuda de Rory. Ricky estava mal, mas era só dar algo pra ele comer, uma cama e dois dias de muita sopa. Deixei ele em sua casa, ele pediu pra eu entrar e conhecer a mãe dele. Eu disse que não entraria por que tinha que ir pra casa, minha mãe me esperaria para o almoço. Segurei a mão dele e disse que passaria a noite para ve-lo e pedi pra ele me esperar antes de fazer qualquer coisa. Sai andando, acenei pra ele. Ele me deu um tchau e foi pro quarto. Paul virava a rua atraz de mim. Me pegou pelo braço.
-George... Que que você tomou? Você tá bebado? -Me olhou espantado. E eu empurrei o braço dele com força.
-Tá ok... Vai pra puta que pariu. Certo. O cara tava passando mal e você chega pra mim segurando meu braço. Foi você que bebeu, fui! -Sai andando e deixei Paul pra traz. Ele não se conformou e foi atraz de mim. -Paul vai pra casa, toma banho, dorme um pouco, bebe tudo que você tem direito, se cura do porre com uma puta chícara de capuccino e depois você fala comigo. -Virei e continuei andando. Paul foi pra casa e me deixou em paz. Eu voltei pra casa almocei e fui tomar banho. Quando terminei, me troquei no banheiro mesmo. Coloquei um Jeans limpo e engomado. vesti, calcei meus tenis e fui sem camisa ate meu quarto, liguei a tv e não passava nada de interessante, um filme de vampiros, um telejornal e todas essas merdas. Eu joguei o controle na parede e vi as pilhas voando. Deitei e dormi. Acordei com o barulho das beatas que passavam na rua cantando cantos religiosos. Abri a janela e estava garoando. Fechei a janela e olhei o relógio, era 20:17. Fechei a cortina coloquei uma camisa, um casaco. desci as escadas e sai, fui até a janela da casa de Ringo, estava aberta e eu pude ver ele dormindo, embrulhado até a cabeça. Pensei em pular a janela, mas tava sem coragem, pensei em bater na janela, mas isso faria ele acordar, então fui até a porta e bati cuidadosamente. Quem atendeu foi a mãe dele. E pediu pra eu entrar, eu entrei e explorei o lugar com os olhos. Ela usava um avental cor de laranja e um vestido até os joelhos, era bonita e tinha olhos claros. Disse que Ringo estava dormindo e pediu-me que eu o acordasse pra jantar. Eu entrei em seu quarto, as paredes eram verdes e tinha um disco na vitrola: Sam Cooke. Eu observei um retrato de um homem, peguei ele nas mãos e sentei em uma cadeira antiga. Ringo virou-se em minha direção ainda dormindo. Sorriu, parecia que estava sonhando... Levantou de súbito e se assustou com minha presença, tomei um susto com o susto dele. Ele esfregou os olhos e perguntou que horas eram.
-20:45 -Eu respondi.
-Você veio mesmo... -Disse ele sentando em sua cama, se embrulhou mais, cobriu bem o pescoço. Ele tremia de frio. Eu fechei a janela pra ele, o olhei e notei que não estava bem. Perguntei pra ele o quanto ele tinha bebido, ele virou a cabeça pro lado e olhou a janela, estava nevando. Ele quis que eu abrisse a janela, eu abri, ele se debruçou sobre o batente da janela e pequenas lágrimas saiam de seu olho esquerdo. Eu o olhei, o envolvi com meus braços, o ombro de Rich estava quente. Coloquei minha mão esquerda em sua testa e ele estava fervendo. Derepente ele nunca foi quente... O seu ar era quente somente quando estava mal.
-O que houve? -Perguntei a ele calmamente e com o tom de voze baixo. Ele me olhou. Virou-se pra mim e viu que eu segurava o retrato de seu pai.







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