While my guitar gently weeps (5)

-George! Você está bem? -Batendo na porta.
-Tô sim mãe! -Gritei meio que rindo, tentando calar a boca de Richard. Minha mãe saiu e deixou a porta em paz. Richard abria o zíper de minha calça, sorrindo. Eu o olhava indiferente, tentando me livrar daquilo, mas no fundo eu queria que ele continuasse a fazer todas aquelas coisas. Se eu pudesse congelar o momento em que ele me atropelou...
-Que que você vai fazer? -Eu disse assustado. Ele me sorriu e rindo disse.
-Vou tocar órgão. -Eu ri sem graça. -Não tenha medo de mim George. -Disse desanimado. -Eu sou um cara legal. Sabe, eu toco bateria. -Disse ele abaixando minha cueca. E eu ria, ah meu Deus como eu ria. Ele me fazia rir. Mas eu sempre pensava em congelar momentos, eu vivia preocupado com isso. Perdia muita coisa, tentando congelar outras que de fato não valiam a pena.
Richard acarciava minha virilha com dedos quentes e leves. Eu pude sentir cada um deles e Richard se sentia feliz por me fazer feliz.
-Vou te levar pra caminhar depois... -Disse olhando pra mim com um puta de um sorriso no rosto. E eu ri novamente. De certo eu nem sabia do que estava rindo, mas eu tinha que rir, eu estava feliz. Richard entralaçou nossos dedos e derepente eramos um só. Me levantou pelas mãos, fazendo meu corpo flutuar pra perto do dele. Me deitou de bruços e se jogou sobre mim, fazendo movimentos leves pra cima e pra baixo, eu sentia as minhas veias saltarem, podia ouvir o barulho do meu sangue trabalhando e a respiração ofegante de Richard. Ele parou de se movimentar e deitou o rosto em minhas costas, eu poderia adivinhar a temperatura do ar que saia da boca dele. Era um ar frio, incrivelmente frio já que ele estava quente. Ele me levantou pela cintura e disse que estava muito feliz, sorriu e me abraçou forte, se vestiu e esperou eu me vestir. Saiu pela janela pra meus irmãos não verem ele. Eu abri a porta do meu quarto, sai e disse pra minha mãe que ia até a casa do Paul. Sai de casa e Richard me deu um susto. Disse que ia me levar pra andar. Tirou uma garrafa de vinho de dentro da blusa e abriu, começou a beber e eu ria, ele piscou pra mim e me levou num lugar vazio.
-Sabe... Eu aprendi a ler e escrever com 15 anos. -Disse ele subindo na árvore e estendendo a mão a mim. -Vem?
Eu subi na árvore e deitei no peito dele.
-É que é assim... Eu ficava doente direto quando era criança e acabei ficando atrasado na escola. -Disse ele beijando meu cabelo. Eu olhei pra ele e sorri. -Seus pais moram juntos? -Sorrindo pra mim.
-Sim, eles discutem mas só de brincadeira. Porque?
-Meus pais são separados. -Disse ele meio triste. Eu me virei de frente a ele.
-Não fiquei assim. Vai ver eles não estavam bem juntos e etc. -Alisei o rosto dele como uma pena e ele sorriu.
-O que quer fazer?
-Quero tocar. -Eu disse empolgado.
-Você toca é?
-Guitarra. -Sorrindo.
-Hummmm, tenho que te levar num lugar. -Disse Richard Pegando em meu rosto, sério.
Ele desceu da árvore e estendeu os braços a mim, eu desci confiando nos braços dele, ele me pôs no chão e pediu pra eu seguir ele. Ele exalava felicidade e excitação em seus atos. Era parecido comigo pelas tentativas falhas de ser feliz e de ser alguém na vida, pela dedicação a família, aos pais e etc. Pela dedicação as artes, Richard disse que gostava de ser ator, que gostava de escrever e pintar, isso deixava-o contente. O cheiro de carmim impregnou a árvore e a praça toda. Eu podia ouvir o barulho das crianças espirrando quando passavam na rua, elas tinham alergia mas eu nem ligava pra isso, pela primeira vez eu estava feliz e todo mundo tem esse direito. Não andavamos de mãos dadas pra ninguém comentar nada, afinal pros mais velhos isso era imoral e ilegal.
Richard entrou em um Pub, onde estavam os amigos dele. Um loiro de olhos claros veio falar comigo, seu nome era Rory e era vocalista da banda de Richard.
-Você foi o garoto que o Ringo atropelou ontém de noite? Você está bem? -Disse o loiro estendo a mão a mim, eu peguei a mão de Rory.
-Tudo bem sim. -Sorri pra Rory. Olhei o Pub e meus olhos brilhavam lacrimejando. Richard me chamou com um grito, ele segurava uma guitarra na mão. Me chamou denovo com o dedo e fui até ele. Ele encostou a garrafa de vinho em um banco e me entregou a guitarra. Eu tocava varios acordes pequenos.

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