While my guitar gently weeps (13)
-Eu vou pegar um copo de água pra você. -Ia se levantando quando eu puxei o braço dele.
-Fica comigo! Não sai daqui. Por favor?
-Ok... -Ele agachou novamente segurando minhas mãos. Eu apertava as mãos de Rich com força, mas sem pressão. Era um toque delicado. Cheio de medo. Ele me olhou novamente.
-Você fica aqui essa noite. Amanhã agente vê o que faz certo?
-S... im... -Disse eu de cabeça baixa.
-Eu te aconselharia a tomar um banho. -Disse ele levantando meu rosto com a mão esquerda. Eu fiz que não com a cabeça. Ele sorriu. -Eu vou com você. -Disse ele sorrindo. Eu sorri de cabeça baixa. -Ai depois... Eu aluguei uns filmes... Agente faz pipoca... Toma alguma coisa... Vê Tv... O que você quiser... Hein? -Disse ele sorrindo. -Ah vá George. Fala alguma coisa. Você aceita?
-Sim. -Eu disse sorrindo pra ele. Ele sorriu devolta.
-Vem comigo. -Ele disse pegando minha mão e levantando. Ele segurou minha cintura me apoiando pra eu não cair no chão. Ele me levou até o banheiro. Me entregou uma roupa limpa minha que eu havia esquecido lá. Uma toalha laranja. Tirou a roupa e foi pra de traz do box. Ligou o chuveiro e me chamou. Eu tirei minha roupa e fui também. Ele pegou o sabonete e passou em minhas costas. Enquanto passava, pedia desculpas.
-Desculpar do que Rich? Eu não tenho que te desculpar não. Porque ta pedindo desculpas?
-Porque desde que nos separamos você tem sofrido demais, não é justo de minha parte, saber que você me ama e saber que eu te amo e nos privar disso sabe.
-Não é culpa sua. A culpa é do Brian. Ele fez tudo isso quando arrumou esse 'namoro' pra mim. Entende? Não é culpa sua Rich. -Eu disse sendo ensaboado.
-Ok. -Ele sorriu. Eu sentia as mãos quentes dele tremerem. As minhas pernas estavam bambas. Eu ouvi Rich dar um suspiro. Eu virei minha cabeça para o lado direito. Ele encostou a boca em meu ombro e beijou-o. Eu sentia tanta falta daqueles lábios quentes e tremulos. Arrepiei dos pés ao cabelo. Virei-me defronte a ele e o prendi contra a parede. Apoiando minhas mãos no azulejo frio do banheiro de Rich, beijei-o com toda raiva de não poder fazer isso em público, com toda raiva de não poder fazer isso antes, com toda raiva de Pattie, com raiva de Jon, de Paul e de Deus e o mundo. Beijei-o com afeto e carência. Beijei-o como nunca havia beijado antes. Ele me abraçou. Desligou o chuveiro e me cobriu com a toalha laranja.
-Vamos fazer alguma coisa. -Me olhou sorrindo. Eu abaixei a cabeça.
-Rich!
-Sim.
-Queria agradecer por deixar eu ficar aqui por hoje. -Eu disse chorando. Ele me abraçou forte.
-Eu te amo! Não agradeça. Você me entende? Eu te amo mais do que tudo no mundo. -Eu olhei pra ele.
-Também te amo.
Fomos pro quarto dele. Eu me joguei em sua cama e me cobri com um edredon. Eu sentia dor, mas já tinha parado de sangrar. Ele me olhou.
-O que você quer fazer?
-Que filmes você alugou mesmo?
-Fanfan la Tulipie -Fez uma espreção romântica. -The Quit Man -Um semblante triste. -Rancho Notorius -Um semblante de pistoleiro. -E Sailor Beware -Disse ele com um sorriso amarelo na face. Eu ria. -E ai qual você quer? -Colocando a mão no queixo.
-Fanfan la Tulipie. -Eu disse rindo. Ele colocou a fita no aparelho. Deitou na cama. Se cobriu e me abraçou. O filme começou. Era a história de Fanfan. Um garoto sensível que se alista no exercito de Luís XV. Nem prestei a atenção que o filme merecia. Eu sentia o cheiro de Rich empregnar minha pele, meu cabelo e todos os meus orgãos. Ele olhava a T.V, tentava assistir, mas conseguia somente ouvir sua própria respiração ofegante e anciosa, esperando eu dizer algo.
-Rich. -Eu disse sentando e encostando minhas costas no apoio da cama. Ele se virou pra mim de súbito esperando ouvir algo.
-Sim... -Meu Deus eu não resisitiria denovo... Não outra vez...
-Eu quero você! -Nunca senti tanta convecção ao dizer algo. Talvez fosse a saudade. Talvez a raiva... Mas a verdade é que eu queria ele, mesmo que fosse doer. Mesmo que não houvesse mais banda porcausa disso. Mesmo que a Pattie ficasse deprimida e se sentisse só... Mesmo que o mundo acabasse porcausa de nossos atos, eu queria Rich com todo meu direito de querer alguma coisa... Rich estava nu da cintura pra cima. A pele branca e macia ainda estava um pouco molhada devido a pressa de Rich ao sair do banho. No filme tocava uma música... Eu senti vontade de chorar, mas me detive ao sentir os lábios de Rich tocarem os meus. Dessa vez eu não resisti. Senti as mãos quentes de Rich alisando meu quadril. Cada dedo. Cada toque. Cada mordida. Ele foi me deitando em sua cama lentamente. Sorria um sorriso timido, o mesmo da primeira vez. Ele levantou-se devagar. Pegou o controle da TV e aumentou o volume, para que ninguém nos escutasse. A mãe de rich parecia estar na cozinha. Era umas 17:50. Eu não estava ligando pra hora de chegar em casa. Eu não dormiria em casa aquela noite.







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