-While my guitar gently weeps .
Era dezembro, eu olhava pela minha janela, não havia uma viva alma na rua, nevava e eu ouvia vozes me chamando, fui até porta seguindo a voz que me chamava. Era minha mãe. Oh! Como eu rezei pra ser outra pessoa. Ela me chamava, por que no meio de todos aqueles Irlandeses que iam na minha casa no natal e que não comemoravam o natal, estava Paul. Ele vinha todo Saltitante com um pacote na mão, veio até mim, me deu um abraço apertado de cinco min e depois de me deixar respirar, me entregou o embrulho que ele mesmo havia feito e me disse pra abrir. Eu abri. Era um LP de Skiffle nunca tinha ouvido antes. Pedi a Paul que entrasse. Abri a porta do meu quarto e ele sentou na minha pequena poltrona verde, tirou o disco da capa, colocou na vitrola e sentou na poltrona verde outra vez. Eu me ajoelhei na minha cama e debrucei-me sobre o batente da janela. Do lado de fora uns garotos passavam, segurando garrafas de vinho e cantando Elvis. Um era pequeno, e tinha o topete bagunçado, aparentava ser simpático, tinha anéis nos dedos e era canhoto, segurava a garrafa de vinho com a mão esquerda, vestia um paletó cinza amassado, uma calça da mesma cor e sapatos engrachados. Eu coloquei a mão esticada no vidro da janela, tentando desembaçar o vidro. Quando desembacei vi nitidamente o rosto do garoto que aparentava uns 18 anos, mas somente passaram. Eu segui ele com os olhos e quando ele estava bem longe eu quase fiquei cego tentando achar ele, mas ele ja tinha ido embora.
Paul queria que eu ouvisse, estava me cutucando a minutos e eu nem senti as mãos dele. Eu sentei na cama e fechei a cortina, olhei Paul e ele estava de pé na frente da minha cama, batucando o Skiffle nos joelhos. Me olhou nos olhos.
-George! Você ouviu a música que passou? Puta que pariu, ela é demais cara. - Disse Paul Pulando no meu colchão. Eu o segui com o olhar.







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