While my guitar gently weeps (17)

Como John cortou o ensaio aquele dia Paul, Rory e eu fomos andar. Eric, o amigo de John estava caminhando com Pattie e eles pareciam um tanto íntimos demais pro meu gosto. Mas enfim... Rory começou a cantar umas músicas de Johnny River no volume máximo de sua voz pras beatas chamarem a polícia. Ele gostava de correr sabe... Então ele começou devagar.
-Together we can make, baby... On the poor side of town... Tchururuáaaaah - Paul colocou a mão na cabeça e eu comecei a ficar vermelho de tanta vergonha. Depois ele mudou o repertório. -Cherish is the world... -Mudou e cantou várias coisas. Rory não correu naquela noite. Desapontado foi pra casa e disse que no outro dia teria uma festa pra tocar, nos convidou... E os outros também. Acenou pra Paul e pra mim e foi pra casa.
Paul continuou a 'Cherish' da parte que Rory havia parado...
-And i do, cherish you... - Paul cantou andando de costas e ouvimos o barulho da cirene da polícia. -Corre comigo Rich! -Disse Paul correndo. Eu segui cantando enquanto corria.
-Dream dream dream dreaaaaaaaaam... -Chegamos na porta da minha casa. Paramos pra respirar e rimos. Abri a porta e entramos. Paul ligou pra casa pra avisar o pai que ele dormiria na casa de um amigo e o pai concordou. Ele olhou pra mim e disse que gostava de cantar também. Me sentei ao lado de Paul no sofá. As cortinas estavam fechadas.
-Tenho que ir... A mãe do George deve estar me esperando... - Disse Paul levantando do sofá e eu tentei mante-lo ao meu lado.
-E não pode ficar aqui?
-Meu pai poderia ligar na casa do George?
-Agente poderia ligar antes?
-Você estaria encrencado, mocinho?
-Será?
-Você não sabe?
-Você não lê o futuro?
-Seria melhor?
-Não sei, mas... Acho que não viu?
-Eu também acho que não... viu?
-Você acha que os videntes gostam de ver o futuro?
-Depende... que vidente?
-Você não sabe?
-Os trambiqueiros? - Quando Paul perguntou isso, valeria a pena perder o jogo das perguntas com uma boa risada, mas...
-Você vai na festa do Rory amanhã?
-Eu vou se você for... Você vai?
-Vou, mas... Será que vão servir pipocas e coca-cola?
-Balas?
-Caramba, com quem andou treinando isso?
-Como é o nome do guru das perguntas bizarras?
-George?
-BINGO!
-Bingo rima como ringo?
-Eu perdi?
-Não... - Consegui finalmente rir muito. Paul e eu riamos feito dois bobões. Ele realmente teria que ir na casa de George. - Diga ao George que eu quero falar com ele amanhã na tal festa...
-Ok... - Paul saiu meio desanimado. Fomos até a porta e eu a abri pra Paul.
-Não tá tarde pra você sair por aí a essa hora?
-Não, não... Relaxa, eu vou andando rápido, espero que a viatura tenha ido embora.. - Paul disse rindo pra mim, o sorriso doce que era como uma característica dele, a que eu mais gostava, mas que as vezes não tinha devido a morte da mãe.
-É mesmo, toma cuidado aí na rua e se precisar grita que o super Richard vai até você.
-Tá bem... - Ele tinha olhos verdes e eu nunca tinha parado pra ver isso. Oh, céus! Como não pude reparar. Os olhos foram a segunda coisa que eu reparei depois do sorriso. Eu aproximei meu corpo do corpo de Paul e segurei sua mão direita. A mão dele estava um tanto fria e tremia também. Encostei meus lábios quentes nos lábios dele que estranhamente também estavam quentes. O ar que saía da boca de Paul era quente e o meu sempre frio. Meus lábios tremiam tanto quanto a mão de Paul. Ele sorriu pra mim, entrelaçou nossos dedos e me olhando ele sorriu, afastando nossas mãos. Eu levantei minha mão e ele a dele enquanto ele ia e seu corpo se afastava de mim. Eu fiz o bico que criança faz quando tá triste e ele riu denovo. O corpo de Paul sumiu no meio da rua e eu fechei a porta. Sentei no sofá e liguei a T.V. O telefone tocou e eu atendi. Era Paul.
-Cheguei vivo na rua de traz. - Eu pude ouvir a risada dele. A risada mais linda de todas as outras... A de George era bonita, mas a de Paul além de tudo era uma risada muito amiga.
As vezes as pessoas não sabem reconhecer uma risada amiga, mas eu sei. Não que a de george não fosse. Mas a de Paul era doce.
-Não precisou do super hiper Richard?
-Eu sempre preciso dele... - Paul disse aquilo e eu comecei a chorar do nada. Eu mal entendi por que estava chorando, mas eu consegui disfarçar. Pelo menos era o que eu achava. -Quer falar com o George?
-Põe ele aí... - Paul passou o telefone pra George.
-Super Hiper Richard! Tudo bem?
-To bem sim... E você?
-To bem... Mas tenho que falar uma coisa com você amanhã também...
-Fiquei curioso George... Por que faz essas coisas?
-Por que pergunta se sabe que não vai dar pra falar agora?
-Por que?
-Por que sim oras... Ganhou. - Eu ri e olhei a T.V.
-Eu sei que gosta de Rory Stormy and the Hurricanes... Eles tão na T.V agora... Canal 45.
-Valeu... Ah meu Deus...
George parecia uma fã alucinada de Rory Stormy and the Hurricanes. Não sei como ele não acabou careca.
-George, passa pro Paul... Rapidinho, se não for encomodo.
-Imagina... - George passou o telefone pra Paul e eu pude ouvir George cantar uma das músicas do Rory.
-Paul?
-Aqui... Já vai dormir?
-Não ainda não...
-Já já eu to indo dormir...
-Tem certeza que quer dormir?
-Como?
-É que assim... Você tá mesmo com sono?
-Não to não, vou mentir não... Mas já tá tarde e a mãe tá aqui confirmando isso. - Eu pude ouvir a mãe de George dizendo algo do tipo 'Manda um beijo pra Rich'. -Tá te mandando um beijo Rich.
-Manda outro e diz que o genro tá com saudade.
-Ela ouviu... Já vou desligar... Mas você vem buscar agente amanhã?
-Vou! - Paul já ia desligar e eu pode ouvir um...
-Eu te amo! - Eu fiquei gelado, tremendo e gaguejei
-E.. e... eu te amo muito! - Ele riu e desligamos.
Fiquei pensando se George teria ouvido isso do outro lado, por que além de tudo Paul falou baixo. Então eu tentei esquecer isso e fui dormir. Minha casa era na rua da frente da casa de George, as vizinhas de George nunca me agradaram. Acho que nunca foi a intenção delas. Elas nunca gostaram de mim também. Acho que a última coisa que eu ia querer era elas como amiguinhas. Beatas. Loucas. Psicoticas. Bitoladas em Jesus Cristo. Eu sempre ficava me perguntando 'Como elas conseguem, Cristo?' Mas minhas dúvidas sempre acabavam quando eu via os filhos delas. Eles eram piores que John e eu. Eu e John pelo menos íamos a escola. Até que minhas notas não estavam tão ruins. Eu fazia de tudo pra cair fora daquele lugar e passar o dia ouvindo Sam Cooke e bebendo um vinho. Qualquer tipo de vinho me deixava bebado. Era cada um com uma coisa diferente. John era o cara da vodka. George era o cara do vinho seco. Paul era o cara do uísque. Rory era o cara do rum. E eu era o cara de todas essas aí. Minha mãe uma vez me levou num psiquiatra pra ver qual era meu problema e o cara disse somente que eu era louco. Creio que ele precisaria de uma avaliação mais detalhada pra afirmar isso, não?
Eu desliguei a T.V e subi pro meu quarto. Me deu uma saudade da época em que eu subia a árvore da casa de George. Mas toda vez que eu pensava em alguém, não era em George, mas sim em Paul e ficava pensando se tudo aquilo que eu já fiz por George eu poderia ter feito com Paul à partir do momento em que Paul se apresentou todo serelepe pra mim.

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