While my guitar gently weeps (14)

Nos dias que se seguiram depois, a banda estava fazendo um moderado sucesso. As garotas nos amavam. Todos os dias tinhamos montes de cartas e ursos de pelúcia em nossas camas nos quartos dos hotéis. Antigamente não tinhamos nada em Hamburgo. Aqueles hotéis da Europa e Ásia eram luxosos demais pra nós quatro. Nos sentiamos sozinhos no quarto grande. Então eu ia pro quarto de Rich, depois os meninos me seguiam e faziamos jogos imbecis e perguntas imbecis. Paul já estava de boa comigo e com Rich. Ele enfim descobriu que gostava mesmo de Jane e cá entre nós ele estava certíssimo. John tinha engravidado uma garota. Mas ninguém podia saber, senão as fãs iam deixar a euforia de nos ver nos shows. Assim como eu e Rich. Naquela noite foi tudo diferente. Eu era o mais novo dali. Eu não sabia de metade das coisas daqueles caras. John perdera a mãe. Ela foi atropelada. Paul eu sabia. Também tinha perdido sua mãe. Rich era o que chamavamos de filho de pais separados.
-Eu não sou pequeno. É que vocês são muito grandes. -Rich disse olhando pra Paul. E rimos muito até as duas da manhã. Eu gostaria de descrever tudo o que houve aquela noite. Mas houve maconha, então eu não vou lembrar de tudo.
No dia seguinte o empresário veio com Pattie e uma amiga dela. Maurreen. Era bonita, morena de silios grandes. Eu a conhecia de festas com a Pattie. Era modelo.
-Ringo, essa é Maureen. Maureen esse é Ringo. -Disse o empresário a Ringo e a Maureen. Rich olhou Maureen, lhe estendeu a mão e disse algo carregado de humor e recepção.
-Toda vez que vem pra cá... Você compra quantas bolsas? -Rich disse olhando as malas de Maureen.
-4 ou 5. -Disse Maureen meia rouca.
Eu olhei a criatura que trouxe Pattie e Maureen, de cima a baixo, olhando aquela roupa dele, aquele cabelo mal penteado, a barba mal feita. Olhei Maureen e olhei Pattie. Balancei a cabeça em um sinal negativo e entrei na casa de John. Pattie veio atraz. Rich chamou meu nome. Eu olhei pra ele, levantei a mão e continuei andando. A casa de John era nova. Ele morava lá com Cynthia. A garota que ele tinha engravidado. A parede era azul celeste. Havia desenhos feitos por John. John desenhava bem apesar de nunca gostar de mostrar os desenhos. Nem Rich havia visto. Quando entrei, Cynthia assistia televisão. Um programa de auditório, daqueles que a platéia é formada por garotas. Ela fez um gesto e eu sentei. Pattie sentou-se ao lado dela e as duas começaram a conversar. John saiu da cozinha segurando uma tigela com biscoitos. A tigela era chinesa... Deu pra ver pelos desenhos na borda. Cynthia desligou a T.V. Ela e Pattie foram para o quarto ver umas roupas. John sentou ao meu lado e colocou a tigela chinesa de biscoitos na minha cara. Deu um sorriso amarelo e viu que eu estava triste, então largou a tigela na mesa pequena e estreita que ficava no meio da sala e me olhou.
-George? -Disse cruzando as pernas.
-Sim?
-Por que está triste? Porcausa dela? -John apontou a janela.
-Eu não consigo esconder as coisas de você?
-Por que você é tão espiritualista?
-Sou?
-Por que não assume que é espiritualista e que eu posso ver que você está triste?
-Por que você esconde seus desenhos?
-Escondo?
-O que eles estão fazendo naquela parede?
-Você não sabe?
-Esqueceu que minha memória é fraca?
-Alzheimer?
-Por que acha?
-Tá bom George! Você venceu denovo. -John e eu costumavos a conversar usando somente perguntas. Era engraçado e sempre funcionava comigo. -O problema não é comigo... Não é com Ringo... Nem com Pattie e muito menos com Maureen... O Problema é com o homem...
-Como sabe?
-Esqueceu que sou adivinho? -john disse com um sorriso cinico.
-Você é?
-Tá perdi denovo. -Olhou pra baixo e eu ri.
-O problema é que eu não posso ser quem eu sou lá fora entende... E agora essa praga fica arrumando mais problemas pra todo mundo. Eu decidi que se ele não parar com essas asneiras eu saio da banda e ele que se foda.
-E agente?
-Vocês vem junto?
-Não seria muito encomodo?
-Por que diz isso?
-Por que... -John pensou um pouco. Eu levantei. Olhei John.
-Ganhei denovo! -Fui em direção a porta e trombei um cara. acho que era amigo ou colega do John. Me cumprimentou, disse que chama-se Eric e entrou. John me olhou.
-George! E a Pattie?
-Que Pattie? -Sai andando com mais uma vitória sobre o John.
Rich estava lá fora encostado num carro me esperando sair. Eu olhei pra ele e tampei os olhos porcausa da claridade. Fui andando até ele. Ele colocou as mãos no bolso da blusa. Eu me encolhi em meu casaco. Ele se aproximou. Eu não me movi. Ele me abraçou, no meio da rua.
-Esquece essa Pattie e casa comigo?
-Por que? -Eu disse empolgado com a brincadeira.
-Como assim por que? -Ele disse interrompendo o abraço.
-E aquela Maureen? -Eu disse com semblante de desprezo.
-Aquilo? Você acha que eu mereço aquilo?
-Eu te amo! -Perdi o jogo, mas valeu a pena.
Naquela noite não haveria ensaio. Paul estava na frente de sua casa. Ele havia bebido mais do que devia. E não falava coisa com coisa. John e eu, íamos a sua direção, quando ele levantou num ímpeto. E correu na direção de John colocando as mãos no pescoço dele. Paul apertava o pescoço de John e John ficou meio que sem ar. Eu segurei as mãos de Paul e as tirei do pescoço de John, antes que acontecesse algo. Rich vinha de bicicleta. Largou a bicicleta no quintal da casa de Paul e veio até nós.
-O que tá acontecendo aqui? -Disse Rich em um tom firme e responsável.
Paul foi na direção de Rich, apoiou-se no ombro dele. Começou a dizer coisas sentido e então falou com sentido.
-John me despresa. - Olhou John meio triste. Depois voltou-se para Rich empurrando ele pra longe de onde estavamos.
O que ouvimos depois foram cochichos e frases inlegíveis. John passou as mãos em volta do pescoço tentando fazer a dor parar. Eu olhei e tentei descobrir o que tinha acontecido. John nada disse, apenas colocou as mãos no bolso e deu de ombros. Me estendeu a mão gelada porcausa do frio, acenou e foi pra casa olhando pra traz.
Rich ainda estava com Paul. Eu fui na direção deles e os cochichos pararam.

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