While my guitar gently weeps (9)
Então me levantei ao ouvir minha mãe me chamar. Fui até a cozinha e me sentei, peguei um prato e me servi. Quando eu terminei de comer, fui ao meu quarto e dormi, dormi muito, meu estomâgo doia muito e Rich me deixou cansado na noite anterior, levantei peguei uma toalha, uma roupa qualquer e fui ao banho. Abri o chuveiro e me joguei embaixo dele. Ascendi um cigarro, pois no banheiro ninguém podia sentir o cheiro, só eu. Dei um trago e coloquei num cinzero que eu escondia debaixo da pia, peguei o sabonete e o passei pelo meu corpo, eu não tinha visto os arranhões de Rich em mim. No banho eu pude ver, as marcas vermelhas que estavam durando tempo demais pra passar, afinal era 16:20 e nos arranhamos as 5:10, esfreguei com o sabonete pra ver se saia... Mas como eu era muito 'INGENUO' eu não sabia que ficava pior. Pensei comigo mesmo: Foda-se... Ninguém vai ver isso mesmo. Coloquei um pouco de shampoo na mão e passei detalhadamente nos meus fios de cabelo. Tinha um cheiro bom... Era camomila. Exaguei o cabelo, desliguei o chuveiro e voltei ao quarto pra poder me vestir. Me olhei no espelho e minha cara estava bem mais simpática. Sentei na cama e coloquei um all starr velho. Levantei e olhei no relógio. Eram exatas 16:45. Peguei minha guitarra e liguei o amplificador. Os caras do Pub me viram tocar blues, mas não Rock. Então Rory e Rich passavam na minha rua e me viram tocar pela janela, bateram no vidro mas eu nem ouvi, o volume tava alto demais. Então eles abriram a janela e eu pude ouvir o som se espalhar pela rua e não só no quarto onde estava. Quando perceberam que eu ia olhar, eles agacharam-se debaixo da janela, eu desliguei tudo e fui até a janela, olhei pra baixo e os dois estavam lá. Eu pulei a janela e sentei-me ao lado de Rich. Olhei ele e ele estava feliz.
-O que houve Rich? -Disse olhando em seus olhos azuis.
-É que você é bom... -Disse Rory meio que interrompendo Rich.
-Eu? Sou nada... vocês que são...
-Deixa de modestia seu infeliz. -Rich disse me abraçando. Eu o abracei também e era a coisa mais engraçada do mundo... Eu gostava dele e eramos um casal. Rory não gostava de homens mas tinha lá suas curiosidades. Então combinamos de fazer um programa a quatro. Eu, Rich, Rory e sua namorada. Mas nem era certo essa combinação fajuta, Rory só queria espiar Rich e eu fazendo nossas coisas... Eu pensava comigo: Que diabos esse cara quer ver o que fazemos? Ele era pervertido ou qualquer coisa do genero? Não. Ele era somente curioso.
Mais a noite Rory saiu com uma groupie e eu fui com o Rich na casa de um amigo dele. Era o tal garoto de olhos verdes e com voz grossa do Pub. Eric era bem instruido e tinha boas notas na escola apesar de ser drogado e bebado. Não precisava se esforçar com nada, levava tudo na boa, levava tudo na paz. Eric conhecia vários lugares no mundo todo. Ele fora pra São Francisco, pra Irlanda, pro Vaticano e etc. só ele pra ir no Vaticano e achar legal. Eu tive que segurar minha risada quando ele disse isso, mas quando sai eu estava vermelho de tanto segurar. Acho que eu devo ter bebido algo nesse dia. Rich me levou pra casa de moto. Eu entrei pela porta e ele pela janela. Mas nessa noite não fizemos nada além de dormir. Dormimos até que o dia desse as caras detraz dos morros e defronte as casas vermelhas historicas. Era um dia bonito, apesar de ter nevado durante dois dias seguidos. Rich me ajudou a tirar a neve da frente de casa, tirou o orvalho e os poucos flocos de gelo de cima do banco de sua moto e quis me levar pra um lugar que só ele conhecia. Ele subiu e eu subi, ele ligou a moto e fomos com o vento batendo nos olhos.
Então eu pude ver a estrada se estedendo sobre as rodas da moto de Rich e sobre nós, sobre nossos pés, e era um sol tão lindo, Rich o chamava de orvalho da manhã, eu sorria e ele parou com a moto num morro. Eu desci e ele desceu. Segurei a mão dele e ele me levou pra ver a cidade de lá de cima. Era um morro florido nos arredores de Liverpool, vários e vários lotes cobertos com árvores e flores. Flores amarelas da cor do sol, Orvalho da manhã. Sentamos e olhamos a cidade. Olhamos quantas pessoas passavam lá em baixo tão minusculas, os pontos de onde ficavam as casas também pequenas, eu podia medi-las com meu polegar. Olhamos e ficamos lá de mãos dadas o dia todo. A noite começou a desinibir sua bela e pálida cintilância, enquanto nos beijavamos e nos abraçavamos e olhavamos as luzes aparecendo. A essa altura eu não ligava pra mais nada e pra mais ninguém, eu só queria estar ali, eu devia estar ali, ali naquele campo amarelo, cheio de flores, tomando vinho e jogando conversa fora. Eu estava bebado e Rich também. Derepente eu fiquei triste, levantei e olhei os carros buzinando lá em baixo, ouvi a musica que ecoava das boates e bares de um submundo que não era meu, mas deveria ser.
Então Rich olhou pra mim, viu minha distância e colocou o braço na minha cintura. Eu o olhei e ele olhou pra mim. Eu me levantei, coloquei as mãos na cintura e olhei lá pra baixo. Senti um frio correndo em minha espinha. Olhei Rich.
-Me leva daqui pra outro lugar? -Disse eu meio passado.
-Sim... -Levantou-se, segurou minha mão e fomos pra sua moto. Ele disse que queria trocar de moto pra carro pelo motivo de que a moto é mais perigosa. Subimos e ele disse que queria me levar pra qualquer lugar. Onde ele fosse ele, queria me levar e queria ir aonde eu fosse. Ele tinha se apaixonado, mas e se algo desse errado? Ele nem era tão feliz assim. Meu Deus. Ele me levou em casa... Eram 18:30... Ele estava atrasado pro ensaio da banda dele e disse que passaria a noite pra me ver, eu disse que tudo bem e que eu esperava. Fiquei vendo ele ir embora e estendi minha mão sem que ele pudesse ver. Quando fui abrir a porta, Paul veio correndo do outro lado da rua, pulou em meu ombro e gritou 'BOOOO'. Eu olhei pra ele e fiz uma cara de poucos amigos abrindo a porta. Ele me empurrou pra dentro de minha propria casa, me dando um beijo longo e desejado a muito tempo. Senti seu cheiro... Ele enchia a casa com aroma de acássia. Eu fechei meus olhos esperando que aquilo acabasse, mas no meu subconciente eu queria aquilo, faz tempo que tinha essa vontade mas não queria que fosse ele, não desse jeito. Enfim fomos pro quarto e fizemos amor... Quer dizer... Nem foi amor aquilo... Foi mais desejo... Mas enfim... Ficamos deitados lá... Sem saber muito o que falar... E Rich foi me ver aquela noite. Eu pude ver seus olhos azuis da ressaca do mar no vidro da janela e logo depois se afastando tristes. Eu empurrei Paul da cama e descia as escadas correndo. Paul foi atraz de mim e como de súbito eu deixei ele cair no chão, abri a porta e sai correndo na rua atraz de Rich, mas eu já tinha perdido ele de vista.







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