While my guitar gently weeps (11)

Enfim eramos uma banda, uma banda de status, de concorrência com muitas outras por ai. Concorrência eu digo de fãs, houve episódios em que fãs de bandas distintas trocaram socos e insultos no meio da rua. Mas nós equanto 'estrelas' eramos amigos. Um amigo de John não tava nem ai pra isso, pra essa histeria toda, o negócio dele era pegar as mulheres. Meu Deus. Seu nome era Mick. Era bonito e tudo mas eu nem podia olha-lo por causa de Rich.
Então devido a histeria das fãs o empresário tirou Rich de minhas mãos e me deu de presente uma loira, bonita de olhos claros. Ela era uma modelo também famosa. Seu nome era Pattie. Não entendi o porque de me jogarem aquela loira e aos outros somente esconder suas respectivas namoradas. Mas a mim tiraram o Rich e colocaram Pattie no lugar. Nosso primeiro encontro foi frio de minha parte, ela queria saber de tudo. Até do dia que nasci.
O empresário comprou uma noite num hotel pra mim e pra ela... Ai quando eu olhava na janela havia pessoas fotografando, creio que a mando do empresário. Eu e Pattie não fizemos nada naquele quarto de hotel.
No dia depois daquele, eu fui para o ensaio e Rich ainda não havia chegado. Eu gostava de ir aos ensaios, pelo menos eu o via, triste, mas eu o via. Então naquele dia, Rich chegou e sentou-se sem falar com ninguém, pegou suas baquetas e solou durante 15 minutos sem ninguém lhe chamar a atenção, ninguém disse nada... Eu o olhei, ergui minha sombrancelha direita levemente e me impressionei, afinal eu ouvia ele tocar sempre... Mas nunca o vi solar daquele jeito, parecia que ele queria descontar a raiva dele em algo, ou melhor, em alguém. Paul estava com sua suposta namoradinha... A dos tempos de escola, Jane, a sua ruiva e doce Jane, eu gostava dela... Era íntegra... E não plastificada que nem a Pattie. Rich estava mal e eu subi no palco onde ele estava, coloquei a mão em seu ombro e ele jogou uma das baquetas longe em sinal de reflexo ao meu toque. Ele se levantou com raiva, chorando, olhou pra mim de cima a baixo.
-Quem você pensa que é? -Disse ele com o hálito de vinho. -Eu não vou aguentar ficar aqui. Tem muita gente melhor que eu pra tocar essa porra dessa bateria. -Disse agora aumentando o volume da voz comigo. -Eu não fico aqui nem fodendo! -Disse pegando a garrafa que estava encostada numa cadeira, pegou também um moleton azul e saiu. Eu pude ver John indo atraz dele gritando o nome de Rich. Eu me sentei no palco, triste, eu amava Rich. Pensei em largar a banda, mas aquele era meu sonho sabe? Ter uma banda e largar todo mundo e tudo pra sair viajando pros lugares que a professora falava na aula de geografia. Mas Rich... Rich tinha os olhos mais lindos que já vi... E ninguém dava a ele seu devido valor... Fico me perguntando se ele já não tinha me visto antes daquele atropelamento... Mas depois meu pensamento fica vago... Tentando achar uma resposta que derepente nem exista... Pattie estava em sua casa. Graças a Deus que não havia assistido a cena. John voltou com Rich e Rich cambaleava pelo Pub. Voltou ao seu Kit bateria e ficou olhando o nada, esperando alguém avisar o que ele podia ou não fazer, o que ele podia ou não tocar. Derepente ele caiu no chão, ele estava bebado a horas. John foi até ele e percebeu que estava desacordado e quente. Pediu uma ambulância que levou Rich a um hospital perto de um orfanato. John disse pra eu ir embora e que não precisava de mim lá. Eu me magoei com John e sai cabisbaixo de lá até minha casa. Eu estava preocupado com Rich, mas ninguém queria me dizer nada... Apenas Jane, que se preocupou com Rich e comigo também... Ela foi até minha casa, me seguindo pé ante pé. Segurou meu braço e sorriu timida e triste.
-Oi. Então né... é... Ele vai ficar bem cara... Vai sim... -Sorriu soltando meu braço.
-Você tem notícias do Rich? -Eu disse com um pingo de esperança em meus olhos.
-Não tenho não... A única coisa que eu tenho é a certeza de que ele vai ficar bem. -Ela fechou os olhos e abriu-os de súbito.
-Obrigado pela força. Ninguém me deixou ficar lá com ele. -Eu abaixei minha cabeça e ela levantou-a com um dedo, eu senti sua áurea transparecer sobre o lugar que estavamos e parecia que ela tinha vindo de outro mundo ou que alguma força maior tinha mandado ela a mim naquele dia... Eu sabia de seu passado... Não era dos melhores... Mas algo me dizia que ela estava ali pra me ajudar... Sabe pra conversar comigo.
Ela se sentou no meio da grama de pernas cruzadas e disse pra eu sentar também. Eu sentei. Ela pegou minhas duas mãos, fechou os olhos e agora ela parecia feliz e meditava. Meditamos . Enfim ela soltou minhas mãos e olhou nos meus olhos.
-Ele está bem agora. -Saiu andando.
Eu a olhei e me senti bem. Eu fui em direção a porta e observei que ela saltitava entre as grandes gramas do meu jardim. Ela ia pra casa. E eu também. Quando entrei recebi um telefonema de Rory dizendo que Rich já estava em casa. Desligamos. Eu fui para o meu quarto e me joguei na cama. Levantei. Sentei na minha poltrona verde. Levantei. Olhei o telefone. Sentei. Levantei. andei pelo quarto todo sem tirar meus olhos do telefone. Eu não tinha coragem então sentei novamente. Peguei o telefone. Larguei ele. Peguei denovo. Disquei os números. Desliguei. Peguei o telefone novamente e percebi que tinha que ter coragem uma vez na vida. Então liguei de vez. Quem atendeu foi John. Eu tomei um susto desses enormes. Cai da poltrona verde de veludo. E John do outro lado da linha dizia:
-Oi george, tudo bem? -Disse John feliz.
-Tudo ótimo. Rich está ai? -Eu disse caido no chão.
-Sim ele está... Você quer falar com ele? -Disse John num tom de dúvida e passou o telefone pra Rich.
-Oi. -Disse Rich meio sem vontade de falar.
-Queria somente saber se você está bem... E...
-Eu to bem sim... Eu tenho uma companhia muito boa... E nós vamos andar de moto até aquele morro florido sabe?
Eu fiquei sem voz no telefone. Eu tentava falar, mas minha voz não saia. Até que saiu e eu comecei a chorar. Rich ouviu do outro lado e calou o riso de John.
-George? -Ele dizia e eu não respondia. -George! George!
-Estou aqui. -Eu disse tentando não chorar mais.
-O que houve?
-Queria pedir desculpas por tudo, por ter ficado com Paul, por estar aceitando a Pattie e por ter te ligado.
Rich se calou do outro lado também e eu desliguei o telefone. Fui pro meu banho. Estava nevando outra vez. Estava frio. Eu sentei no chão embaixo do chuveiro e deixei que a água quente caísse em mim. Por um instante de alucinação me veio as mãos de Rich em minhas costas me arranhando e eu chorava. Senti seu cheiro de carmim. Balancei a cabeça pra ver se era só ilusão mesmo, mas não era, era uma especie de lembranças e ilusões vagas. E eu chorava. Joguei o vidro de shampoo na parede e vi o conteúdo vazar pelas rachaduras que causei. Queria morrer lembrando da voz cinica de John. Enfim, olhei a pia. Me apoiei e me levantei. Desliguei o chuveiro. Me vesti e sai. Paul ia dar uma festa e o que eu tinha a perder indo a festa dele? Eu já tava ferrado mesmo. Pattie não foi. Estava num ensaio fotográfico. Então eu fui. Cheguei lá e a porta estava aberta. Eu entrei e Paul veio falar comigo.

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