While my guitar gently weeps (2)

-Não ouvi nada cara. - Disse tentando olhar a janela.
-Como não ouviu nada? Meu Deus George... Tá no último volume e você não ouviu? Você só pode tá surdo. Oh, meu Deus. - Desapontado.
-Desculpa, cara? Eu tava tentando ver um negócio aqui fora.
-Negócio? Que negócio? Me mostra? - Disse Paul subindo em meus ombros.
-Já passou. - Tentando olhar a janela.
Minha mãe nos chamava da sala. Eu e Paul fomos até a sala, sentamos no sofá e ele ficou me perguntando se eu estava louco, apenas por não ter ouvido o disco que ele comprou pra mim. Minha tia veio nos servir empadas de frango. Pegamos uma cada um e fomos até a calçada. Paul sentou e eu fiquei em pé. Acho que Paul tinha bebido algo e tava bem louco. Virei-me de frente pra rua e fui atravessar, ao invés de atravessar fiquei parado feito um dois de paus no meio da rua, esperando o garoto passar. Uma bicicleta veio em minha direção e me atropelou. Paul veio correndo e no que eu entendi que tinha sido atropelado eu olhei pro ciclista. Ele olhou pra mim e tinha olhos claros, barba mal feita. Eram os olhos mais lindos que eu já tinha visto. Ele me estendeu a mão com o semblante preocupado. Levantou a sombracelha. Eu lhe dei minha mão e ele me levantou. limpou minha camisa. E pediu desculpas. Eu tentava soltar minha mão, mas não conseguia, ele não soltava minha mão. Eu olhava assustado e ele sorriu.
-Machucou? - Me olhou nos olhos.
-Eu to bem, eu to bem. -Enguli seco, ele olhou pra nossas mãos, assustado e largou minha mão.
-Tudo bem mesmo? - Disse ele olhando meus olhos. Ah meu Deus que olhos ele tinha... Paul me chamou e o garoto de olhos azuis desviou a atenção à Paul.

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