While my guitar gently weeps (4)

Paul corria de costas até chegar em sua casa. Eu disse um até logo a ele, um feliz natal e fui pra casa. Quando cheguei na frente de casa, Richard estava sentado na calçada e veio até mim. Olhou nos meus olhos.
-Oi. -Disse sorrindo.
-Oi... -Eu disse com medo.
-Feliz natal. -Disse ele pegando minhas mãos. Me subiu um calafrio, enguli seco. Ele olhava minhas mãos tremendo, sentia minhas mãos frias. Eu tentei me livrar das mãos dele, mas ele era forte e não soltava minhas mãos. Ele aproximou o rosto dele e tocou meus labios com os labios dele. Eram lábios quentes, húmidos. Ele me soltou.
-Você tem medo de mim? -Ele disse cabisbaixo. Eu estava estatelado na frente dele, nem sabia o que dizer e ele esperava uma resposta.
-Não. -Eu só conseguia dizer palavras monosilábicas como sim, não, é e etc.
Ele sorriu.
-Posso vir aqui amanhã? -Disse Richard pegando minhas mãos novamente.
-Er... P-p-pode. -Falei tremendo os labios.
-Você tá bem mesmo?
-Sim. -Ele riu e me abraçou, eu não conseguia me mecher e eu senti o cheiro dele. Carmim. Ele era abusado mas de certa forma eu gostava. Ele deixou o abraço, me olhou nos olhos novamente, sorriu feliz, me beijou e disse que voltaria no dia seguinte.
Saiu andando de costas e acenou.
No outro dia eu acordei, levantei, tirei o pijama e coloquei um jeans e um tênis e fui tomar café. Meu tio bebado estava caindo do sofá, olhei minha mãe e ela ria.
-Você nem ficou aqui ontém George. Onde foi?
-Fui andar com Paul.
-Ah sim...
Terminei meu café rapidamente e voltei pro quarto. Eu estava somente com o jeans e com o tênis. Eu abri a janela e estava frio. Coloquei um disco na vitrola e sentei na minha cama lendo uma revista. Richard não bateria na porta aquela hora da manhã. Senti uma mão quente no meu ombro e tomei um susto, era a mão de Richard. Eu o olhei de ímpeto, assustado. Ele sorria pra mim e o cheiro de Carmim invadia meu quarto. Dava pra senti-lo do outro quarteirão. A intenção de Richard era pular a janela e entrar no meu quarto e eu não queria, o máximo que eu queria era que ele me levasse pro lado de fora da minha casa. Mas ele pulou a janela e caiu na minha cama, sobre minhas pernas, rolou e caiu no chão, eu ouvi o barulho.
-Tá tudo bem, eu to vivo. -Disse ele tentando levantar. Eu ri, ele olhou pra mim feliz. Levantou-se e sentou-se ao meu lado. Olhando pra mim. -Ok você riu. Eu sou engraçado meu Deus, ele riu. -Disse tirando o topete bagunçado que caia na cara.
-Sim, você é sim. -Colocando a revista no batente da janela.
-Não acredito! Ele disse várias palavras... Ah meu Deus. Hoje é meu dia de sorte... -Disse ele pegando em minhas mãos.
-Você é extramamente engraçado. -Eu disse e ele beijou minha mão esquerda.
-Você é demais. -Disse deitando-se no meu colo. -Chega mais... -Me puchando pela nuca, me beijando. Era um beijo doce, capaz de só ele ter aquele beijo, um beijo engraçado, cheio de sorrisos. Me afastei.
-Quantos anos você tem? -Eu disse tentando disfarçar o clima.
-17... E você? Espera... Você tem 14?
-Sim. -Ele levantou, me olhou nos olhos e disse com todas as letras, soou com um eco no meu quarto e nos meus tímpanos.
-Eu te amo.
Enguli seco novamente. O garoto dos aneis, da garrafa de vinho, do Love Me Tender... O garoto da bicicleta me amava. Ele tirou meu cabelo da testa e a beijou-a docemente com aqueles lábios quentes. Segurou minha cintura e fechou a janela. Olhou pra mim e disse que não precisava de mais nada na vida ao não ser de mim, me deitou na cama e deitou sobre meu corpo como um lençol, quente, sútil e leve, porém pesado pela a vontade de estar ali. Ele quente e eu gelado. Ele certo e eu errado. Ele objetivo e eu perdido. Ele olhava os botões de minha camisa tentando adivinhar o que havia por baixo. Foi abrindo os botões um a um e haviam 8 botões eu os contei conforme Richard os desabotoava. Dizia coisas sem sentido, enquanto passeava com os lábios em meu peito. Eu estava tonto. Como eu pude deixar ele entrar em meu quarto daquele jeito? Minha mãe me chamava batendo na porta.

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