While my guitar gently weeps (15)
Flashback . [You are my sunshine - 1] (Rich)
Paul havia me contado sobre o sonho que acabara de ter. Ele estava bebado a um bom tempo. Demorei a entender o que disse, mas consegui entender a parte de que o John teria que ir atraz da Cynthia pra pedir desculpas, agora por que John o traiu eu não entendi lé com cré e balancei a cabeça afirmamente, por que aprendi com o tempo que se deve deixar pessoas embreagadas falarem.
Ele encostou as mãos em meu ombro e eu tinha que ser bem sincero, afinal sempre me exigiram fidelidade e perfeição. Pois bem, eu deveria ser sincero. O perfume dele não era de alcool, nem parecia que ele havia bebido. Só estava um tanto quanto abatido. Me olhou no fundo dos olhos e eles estavam molhados. Caiu uma lágrima de seu olho esquerdo e George chegou.
Fim - Flashback 1 . (George)
Olhei Rich conversando com Paul. Paul olhava estranho pra mim. Não entendi bem o que estava acontecendo. Embora eu quisesse saber o que estava acontecendo... Minha dor de estomago falou mais alto. Meus irmãos provavelmente estariam em casa me esperando. Olhei Rich e Paul de cima a baixo.
-To morrendo de dor de estomago, vou pra casa, mas ainda quero saber o que aconteceu. Rich amanhã você me conta e ponto.
Olhei o Paul meio preocupado, meio indiferente.
-Café amargo cura ressaca. -Eu disse. Paul levantou o polegar. Me aproximei de Rich e o beijei secamente. Logo em seguida saí.
Quando entrei em meu quarto olhei os dois da janela. Paul sentou-se no degrau da escada de sua casa. Pos as mãos na cabeça. Rich o olhava preocupado, sentou-se ao lado de Paul e eu fechei a cortina com tanta raiva que esta caiu. Naquela noite dormi vendo a lua, as vezes olhava pra ver o que estavam fazendo lá em baixo. Até a hora que eu os olhei, Paul estava desabafando com Rich. Me deu uma pontada no estomago e deitei-me de bruços. Coloquei o travesseiro em cima da cabeça e tentei esquecer.
No dia seguinte levantei com tudo e olhei a janela. Nem um nem outro estavam mais lá. Peguei o telefone e telefonei pra Pattie... Pedi que viesse depois do almoço. Ela disse que viria. Desligamos e fiquei olhando a janela. Não havia sol aquele dia, John havia me ligado dizendo que teria ensaio a tarde e poderiamos tocar no Cavern Club. Estava tão empolgado que esqueci de tudo. Até mesmo de Rich. Minha mãe bateu na porta e disse que Pattie estava na sala. Quando cheguei lá, ela me olhou e deu um sorriso.
De tarde eu fui até o cavern. John estava encostado na frente do pub. Ele me pareceu mais rejuvenescido... Acho que ele foi atraz da Cyn literalmente. Jon parecia Ray Charles com seus óculos escuros e seu jeito de olhar as nuvens... Ray Charles não, Steve Wonder, perdão.
John me estendeu a mão e fez uma gracinha, me olhou rindo e perguntou de Rich.
-Não sei onde ele está, talvez ele esteja por aí com o Paul... -Pus minhas mãos no bolso e entrei.
Flashback . [You are my sunshine - 2] (Rich)
Paul não havia bebido tanto. O problema é que ele estava abatido, ele não dormia a dois dias seguidos e o pior que nem era por causa de John. Nem ao menos de George, Jane ou sei lá quem mais... Ele me disse que queria ter sido atropelado no dia do aniversário de Jesus Cristo e ter visto olhos azuis pela janela antes de George, mas como chegou depois de George ter sido atropelado... Eu o olhei com a cabeça entre as mãos. Me aproximei um pouco, meio tímido. Encostei minha cabeça no ombro de Paul.
-Minha energia é tão boa assim?
Paul tirou as mãos da cabeça, me olhou meio estranho e timidamente colocou a mão na minha que estava sobre minha perna. Ele riu sem graça, retirou sua mão de cima da minha e pediu desculpas. Logo ele que nunca pedia desculpas pra ninguém. Eu levantei minha cabeça e olhei Paul. Disse que só o desculparia se jantasse pipocas comigo e ele sorriu, concordando com a cabeça.
Levantamos e fomos pra minha casa, jantar pipocas a meia noite. Abri a porta lentamente pra não fazer barulho e chamei Paul com o dedo. Ele veio até mim na ponta dos pés, olhando os lados como se estivesse em um filme de espionagem. Eu ri. Ele entrou finalmente e quando eu ascendi a luz, ele se jogou no sofá. Eu ri denovo. Minha mãe não acordou, graças a seu remédio pra dor de cabeça que no caso também dava sono. Eu o tomava as vezes quando lembrava que eu não tinha pai. Eu olhei Paul e fui andando até a cozinha na ponta dos pés. Paul veio junto na ponta dos pés também. Nós riamos muito.
Quando chegamos na cozinha, Paul sentou-se em uma cadeira e eu peguei o milho. Eu olhei ele me olhando enquanto eu pegava o óleo. Ele me olhou olhando-o enquanto ele pegava uma panela pra mim. Então peguei a panela das mãos de Paul e ascendi o fogo, coloquei a panela lá e óleo dentro. Quando eu fui colocar o milho, alguns grãos caíram no chão, ele sorriu. Coloquei os grãos de milho e fechei com uma tampa.
Enquanto esperavamos a pipoca ficar pronta, fomos até a sala. Paul ficou em pé na frente do piano e eu sentei no sofá. Ele olhava as fotos uma a uma, enquanto eu o olhava. Ele pegou um retrato e virou pra baixo, tentando ser discreto. Eu levantei e fui até ele, virei pra ver qual foto era. Era uma foto minha e de George. Ele virou o rosto meio tímido. Eu tirei a foto do porta retrato, rasguei e joguei no lixo, Paul se virou assustado.
-Mas... mas.. O que... Porque?
- Por que George pensa ser o mesmo de algum tempo atraz. - Joguei o porta retrato também e voltei ao sofá.
-Rich.. - Disse Paul sentando ao meu lado, eu o olhei. -E Maureen?
-Maureen... Até que ela é legal, mas sabe... eu não consigo... Se é que me entende... -Eu disse olhando os lados e Paul seguiu rindo.
Comemos a pipoca, escovamos os dentes e fomos dormir.
-A questão é que você prefere dormir pra direita ou esquerda? -Eu perguntei a ele meio tímido.
-A questão é que eu prefiro dormir... -Ele riu e se jogou na cama. Eu peguei as cobertas e deitei também. -É bom que você não tenha problema em dormir assim, Rich! -Sorriu pra mim e virou-se. Depois voltou pra mim e me deu boa noite. Eu desejei o mesmo e virei-me.
-Rich...
-Sim..
-Eu te amo.
Quando ouvi aquilo me senti tão bem e tão sem culpa.
-Você é doce... -Ao contrário do que sempre me falaram sobre Paul. Ele era doce porque sabia ser doce, ele é doce porque nunca desaprendeu a ser doce. Era doce, é doce e sempre vai ser doce. Ele sorriu pra mim e se aconchegou em meus braços caindo em seu próprio sono.
Quando acordei ele ainda estava lá, só que havia acordado e me olhava tão contente. Aquilo me contagiou e eu fiquei alegre também.
Eu simplesmente não resisti e o beijei. Eu pude sentir toda alegria, toda energia minha que eu podia passar a ele. Eu senti suas mãos, o cheiro do seu cabelo, o toque com a ponta dos dedos... Eu me sentia tão feliz. Me sinto tão feliz. E vou me sentir feliz com ele até o dia em que eu morrer.








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