While my guitar gently weeps (19)

Chegamos a casa de Alvin e Ricky. John bateu na porta 'delicadamente'. Que pessoa delicada, meu Deus! Alvin abriu e acenou.
-Sejam bem-vindos a nossa humilde casa.
George olhou a casa e fez sinal negativo com a cabeça. John tapou os olhos e eu entrei com Paul. Quando já estavamos no interior da casa, olhamos pra fora e George ainda balançava a cabeça negativamente e John ainda estava com os olhos tapados. Alvin pediu pra que eles entrassem. Paul ria muito, com os lábios quentes encostados em meu ombro. Eu confesso que nunca gostei de calor, mas o calor que saía da boca de Paul era diferente. Era doce. Ainda bem que eu não tinha diabetes.
Por fim, George e John entraram. John olhou boquiaberto pro interior da casa. Eu olhei também e pensei: 'Humilde casa é a minha!'. Rory veio até mim e Paul. Eu perguntei.
-Que horas vocês vão tocar, nessa casa tão humilde? - Levantei a sombrancelha direita enquanto ainda olhava a casa 'humilde'.
-Já já o baterista chega. Eu gosto dele, mas ele atrasa muito. Sinto falta da sua pontualidade.
-Minha pontualidade de bebado, só se for essa. - Olhei Paul enquanto falava com Rory e ele sorriu pra mim. Eu baguncei o cabelo de Rory e levei Paul até o jardim, do lado de fora da casa. Tipo uma parte externa. Encostei-o no muro, prendendo seu corpo no meu com minhas mãos nos pulsos dele. Olhei-o e pedi licensa. Ele levantou a sombrancelha como se quisesse me seduzir um pouco mais. Larguei os pulsos de Paul, subindo minhas mãos em seu rosto. Era tão liso. Tão macio. Tão branco. Eu pude ver quando Paul fechou os olhos. Eu apoiei minhas mãos na nuca de Paul e toquei seus lábios com os meus. Ainda estavam quentes. Paul sorria. Acho que ele pensou que eu fosse atirado demais ou algo assim. Mas pude sentir o cheiro dele outra vez. Era doce pra variar. Ainda bem que eu não era diabético. Mas acho que ele havia mudado o perfume. Ou que não reparei que a camomila de Paul era tão doce quanto calma. Senti suas mãos abraçarem minha cintura enquanto eu o beijava. Quanto mais eu beijava, mais queria beijar... Ter aqueles lábios somente pra mim. O corpo de Paul somente pra mim. As mãos. O rosto branco. A camomila. Os olhos verdes. Nunca havia contado pra ninguém, mas na primeira vez em que eu sonhei com George, seus olhos eram verdes. Paul só me fez amar mais e mais seus olhos verdes. Rory começava a tocar de lá de dentro. Eu pude ouvi-lo me chamar. Eu pedi pra Paul esperar. Fui pra sala e fiz um gesto com as mãos pra Rory. Voltei pro jardim e Paul estava sentado na grama. Eu fui até ele na ponta dos pés, olhando os lados. Ele ria muito. Quando eu sentei ele olhou-me.
-Elementar, meu caro Rich.
-Me beije, meu caro Paul.
Eu pude sentir as mãos de Paul sobre minha perna. Pouco a pouco foi 'se deitando' sobre mim. Elevando o corpo somente. Eu sorri, levando meu corpo pra frente. Oh, mas que lábios, meu Deus! Eu passaria anos descrevendo cada célula dos lábios de Paul.
Paul avistou uma árvore. Era uma macieira. E atráz da macieira... Escuridão. Paul levantou-se me puxando pela mão esquerda. Fomos pro escuro perto da sombra da macieira. Tudo que eu senti foram minhas costas encostarem na parede. Ligeiramente Paul entrelaçou suas pernas nas minhas. Fincou os dedos em minha coxa, fazendo-a subir. A camomila impregnou em minha roupa. Eu aproximei o rosto de Paul, puxando-o pela nuca e o beijei. Rory foi bem maldoso ao dizer que iria tocar a próxima música para o casal que estava no jardim. Eu lembro bem que música era. Tinha sons daquelas caixas militares. Era Frankie Avalon. John deu um assovio. Paul pulou o muro baixo do jardim da casa de Alvin. Eu fiz o mesmo. Fomos correndo pra casa de Paul. Paul abriu a porta meio estabanado, rindo muito.
-Vamos entrar na minha, de fato, humilde casa... - Ele sorriu e entrou. - Meu pai deve estar na cozinha agora. Vamos subir de mansinho na ponta dos pés, certo, meu caro Rich?
-Elementar, meu caro Paul. - Eu disse alisando o queixo e fazendo cara de espião. Subimos na ponta dos pés, segurando o riso. Quando Paul entrou em seu quarto os risos acabaram. Eu entrei e ele fechou a porta, me empurrando nela. Derepente ele ficou sério. Subiu minha camisa e a jogou no chão, com pressa. Eu senti seus lábios quentes, em meu pescoço e em todas as partes do meu corpo que a camisa escondia. Eu era abusado. Fui timidamente abrindo os botões da camisa de Paul, larguei-a no chão ao lado da minha.
Paul me puxou pra sua cama com os dedos nos passadores da minha calça. Quando estavamos ali eu realmente tive certeza que George não era meu. Eu não era de George. Por que pra mim o que importava, o que sempre importou é que você ama quando faz amor. Paul era magro e tocava meus ossos tão sutilmente. Eu pude ouvir cada palavra sem sentido que Paul disse em meu ouvido. Até quando me arranhava era diferente. Era tudo diferente com Paul. Cada dia é diferente. Cada noite é diferente. Cada gemido é diferente com Paul. Quando nossa euforia 'passou', Paul queria me mostrar algo.
-É só a letra. Não ficou muito boa. Mas... - Me deu um pedaço de papel meio amarrotado. Eu comecei a ler em voz alta, pra ver qual efeito causava.
-I've just seen a face,
I can't forget the time or place
Where we just meet.
Acho que Paul não queria que eu lesse o resto. Pelo menos não em voz alta. Eu passei a ler baixo. Tudo que li me fez sorrir. Exceto pelos 'she's' e 'Her'. Mas se não fosse assim não poderíamos grava-la quando estivesse pronta. Frescura de empresário.
Deitei sobre as pernas de Paul e guardei o papel amarrotado na gaveta em que ele estava. Senti os lábios de Paul em minhas costas. Ele me deitou em sua cama e me cobriu com seu corpo. Eu nos cobri com um lençol. E fizemos amor até de manhã. Dormimos a tarde toda.
(Por que é dificil ser o presente?)

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